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17 de agosto de 2011

Gestão de Empresas de Alta Tecnologia

Paulo Rogério Foina *

As maiores oportunidades de emprego ou de negócios estão nas empresas de base tecnológica. Mas o que são essas empresas? Inicialmente podemos defini-las como sendo empresas que produzem serviços e produtos de alta tecnologia, mas não é só isso. Podemos incluir nessa classe todas as que dependem de conhecimentos inovadores e insumos tecnológicos para prestar serviços aos seus clientes.

Uma empresa de base tecnológica tem, basicamente, dois principais insumos: técnicos capacitados e processos inovadores. Os produtos gerados por essas empresas são intensos de conhecimento e de alto valor agregado. Não raro os produtos não existem fisicamente, mas são apenas programas gravados em CDs ou nem isso (quando são baixados via download).

A gestão dessas empresas traz grandes desafios aos seus gestores que, se não estiverem capacitados para eles, podem rapidamente fazê-las perder mercado ou até mesmo desaparecem. Vejam os exemplos recentes da Palm Inc. no mundo dos PDAs e da Motorola na área de celulares. Ambas praticamente criaram o mercado e tinham quase o monopólio mundial, mas por descuido ou opção estratégica equivocada, perderam a hegemonia e o poder de definir os rumos dessas áreas (a Palm foi recentemente vendida à HP a um preço infinitamente menor do que ela valia há cerca de 5 anos).

O que faz a gestão dessas empresas ser diferente das empresas tradicionais? Quase tudo! Os recursos humanos são efetivamente a alma e o corpo dessas empresas. A perda de técnicos chave pode simplemente fazer as empresas desaparecerem. Veja a preocupação mundial com o destino da Apple depois da saída do Steve Jobs. Será que ela continuará sendo o sucesso que é hoje? O mesmo ocorre com seus principais técnicos responsáveis pelas inovações que os produtos apresentam. Manter seus técnicos e desenvolver suas equipes é um das maiores preocupações dos gestores dessas empresas. Em alguns casos esses profissionais são realmente insubstituíveis. Para complicar ainda mais, esses técnicos são fiéis apenas às suas carreiras pessoais e trocam facilmente de empresas em busca de melhores ofertas e oportunidades de trabalho.

Os próprios produtos e serviços dessas empresas são diferentes dos tradicionais. Como vender algo que não tem existência física, como é o caso de um sistema computacional? Como se controla o estoque desses produtos? Como atribuir preço a algo que não usa insumos, apenas muita inteligência? Veja o caso dos novos remédios. Eles custam caro quando são lançados, mas assim que aparece um produto concorrente o preço cai drasticamente, mostrando que o custo dos insumos é o fator primordial no cálculo do seu preço de venda.

Nesse mercado o que define o preço de um produto é o valor percebido pelos clientes, ou seja, o quanto eles estão dispostos a pagar. Quanto mais inovador ou melhor divulgado, mais alto seu preço de venda. No caso do iPhone, o custo de produção corresponde a menos de um terço do seu preço de venda, mas os clientes pagariam até mais do que pagam hoje para ter um exemplar do produto.

A formação de gestores para empresas de base tecnológica segue uma trajetória diferente dos gestores tradicionais pois, normalmente, esses gestores são os próprios empreendedores e criadores dessas empresas. Veja os exemplos do Steve Job, Bill Gates, Larry Elison e outros. Criaram um produto inovador e estão gerenciando suas empresas. Eles tinham dom nativo da gestão e criaram estilos de gerenciamento que deram certo, mas muitos outros empreendedores perderam suas empresas por não terem essas habilidades administrativas.

A criação e o desenvolvimento de empresas de base tecnológica no Brasil enfrentam, entre outras tantas dificuldades, a ausência de programas de formação de gestores especializados nessa classe de empresas. Criamos boas empresas com produtos e serviços inovadores, mas a gestão delas é, na maioria dos casos, inadequada ou incapaz de manter a chama inovadora e criativa por muito tempo. A maioria das empresas inovadoras se mantém apenas enquanto o seu primeiro produto se mantém sozinho no mercado, mas assim que aparecem os concorrentes ou a inovação original deixou de ser atrativa, essas empresas não conseguem criar novos produtos e acabam desaparecendo.

Uma geração recente de empresas tem sido criada para serem rapidamente vendidas para outras empresas já consolidadas. Vejam a quantidade de empresas que o Google já adquiriu, ou a Oracle, a IBM e outras.

Enfim, criar e manter empresas de base tecnológica exige empreendedores criativos e gestores especializados. Sem essa combinação vitoriosa, a longevidade dessas empresas estará perigosamente comprometida.

*Paulo Rogério Foina, físico e doutor em informática. Diretor de Tecnologia da Sapientia Information Technology e  Coordenador do Curso de Engenharia da Computação do Centro Universitário de Brasília – CEUB

 

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