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3 de maio de 2011

Um Pouco Sobre SOA

Paulo Rogério Foina *

Na sua curta história, a informática já passou por várias revoluções e mais uma se avista no horizonte tecnológico. A Arquitetura Orientada a Serviços, ou do inglês, Service Oriented Architecture – SOA.

SOA é uma forma de organização dos recursos tecnológicos que constituem os sistemas de informação das empresas modernas. As principais características dessa arquitetura são: a) estar fortemente ligada aos processos de negócio da própria organização e b) utilizar padrões tecnológicos consolidados. Outro elemento importante da SOA é o Serviço.

Entende-se como serviço uma peça de programa capaz de responder a uma requisição externa, retornando uma resposta adequada aos dados que são passados no momento da sua ativação. A ativação e a resposta acontece através da Internet, o que leva o serviço a ser chamado de Web-Service. Um serviço pode ser criado e disponibilizado pela própria organização ou por terceiros, abrindo assim uma nova oportunidade de negócio: fornecimento de web-services.

Uma empresa pode contratar um ou mais web-services de empresas especializadas. Essas empresas disponibilizam os web-services pela Internet, os quais responderão às requisições dos sistemas da empresa contratante. Para garantir a operação dessa estrutura de negociação, a oferta de web-services deve seguir alguns padrões internacionais tais como: a) SOAP – Simple Object Access Protocol, padrão de mensagem baseado em XML para troca de mensagens (requisições e respostas) dos web-services; b) UDDI – Universal Description Discovery and Integration protocol) que é um modelo de lista de endereços com informações sintéticas sobre o que faz, como contratar e como usar um determinado web-service; c) WSDL – Web Services Description Language, formato padrão de descrição sobre o que faz e como acessar um web-service.  O uso mais poderoso da arquitetura baseada em serviços é quando ela está relacionada a processos de negócios. Um processo de negócio da empresa pode ser escrito de forma diagramática a partir de ferramentas gráfica de especificação de processos e carregá-lo em um motor (engine) de workflow que siga o padrão BPEL (Business Process Execution Language). Esse motor irá executar o processo descrito e poderá, em cada atividade desse processo, ativar um web-service que mecanize o trabalho previsto para aquela atividade.

Os sistemas pré-existentes na empresa podem também fazer parte da arquitetura orientada a serviço desde que sejam construídos web-services de acesso aos recursos destes sistemas. Os principais fabricantes oferecem ferramentas que facilitam a criação de web-services em sistemas pré-existentes. Dessa maneira, novos sistemas podem ser construídos usando-se partes dos sistemas existentes e com novas funcionalidades simplesmente mapeando o processo de negócio a ser mecanizado e construindo os web-services necessários (ou adaptando web-services de sistemas pré-existentes). Podemos ainda contratar de empresas especializadas os web-services que necessitamos e que não pretendemos desenvolver internamente.

Um grande exemplo de aplicação brasileira da arquitetura SOA é o e-NF, sistema de Nota Fiscal eletrônica. Por esse sistema, o sistema de vendas de uma empresa, ao fazer uma venda, requisita do e-NF, o serviço de geração de uma nota fiscal. Para tanto, o sistema de venda emite uma requisição a um web-service do e-NF e recebe o número da Nota Fiscal emitida pelo governo. A empresa vendedora e o comprador recebem e-mails com o endereço de acesso à cópia completa da Nota Fiscal, que pode então ser impressa.

Como podemos perceber, a Arquitetura Orientada a Serviços impõe uma nova forma de construir sistemas com evidentes vantagens na reutilização de códigos e aproveitamento dos investimentos já realizados na empresa. Mais que um modismo tecnológico, podemos apostar em uma mudança de paradigma de automação de negócios. Acredito que depois das revoluções do COBOL e do SGBD Relacional estamos assistindo ao nascimento da terceira grande revolução da TI para as empresas.

*Paulo Rogério Foina, físico e doutor em informática. Diretor de Tecnologia da Sapientia Information Technology e  Coordenador do Curso de Engenharia da Computação do Centro Universitário de Brasília – CEUB

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